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TOP 5 – Parques Disney que nunca saíram do papel


Com mais de sessenta anos de história, o setor da Disney chamado de Walt Disney Parks & Resorts, responsável, entre outros, pelos parques da empresa, está sempre na ativa. Muitas ideias são boladas pelos Imagineers a todo momento até que finalmente alguma delas agrade aos chefões da empresa e possam ser confirmadas para o grande público.

Por isto, é interessantíssimo ir a fundo e descobrir quais projetos da empresa NÃO passaram por este crivo e acabaram sendo descartados pela Disney ao longo das últimas décadas. São dezenas de atrações e áreas, e muitos parques temáticos também, que nunca chegaram a ver a luz do dia.

Parkaholic selecionou os cinco projetos mais interessantes de parques Disney que chegaram a ser desenvolvidos, mas foram cancelados por algum motivo específico. Conheça (e sonhe) com estes parques incríveis que nunca saíram do papel!

5- Disney-MGM Studio Backlot

Não se deixe enganar pelo nome; este parque seria localizado em Burbank, na Califórnia, e sua história tem origem antes mesmo do Disney MGM-Studios abrir (hoje conhecido como Disney Hollywood Studios).

Tudo começou quando a Disney ouviu os planos do Universal Studios de abrir um parque temático em Orlando nos anos 80. Indignada com a afronta da rival em ir para o mesmo local dos Estados Unidos, decidiram atacar na mesma moeda e em dois frontes. Primeiro na Flórida, onde a empresa iria abrir um terceiro parque no Walt Disney World Resort, seguindo com a mesma temática de estúdio de cinema do Universal Studios Florida (e que se tornaria futuramente o MGM-Studios). Depois, na Califórnia, a Disney inauguraria um híbrido de parque/shopping center na cidade de Burbank, logo ao lado do Universal Studios original, o Universal Studios Hollywood (Burbank fica a 5 minutos de carro do parque).

Os  planos para este parque incluíam um simulador de última geração e uma área no formato de pier junto a um lago, que teria em seu centro uma enorme roda-gigante. Sua principal atração, porém, seria uma cópia da The Great Movie Ride, atração destaque do Disney MGM-Studios quando inaugurado em Orlando (e recém-fechada no parque). O lugar também teria uma área réplica de uma cidade do Velho-Oeste, e estúdios de verdade em funcionamento, para que os visitantes pudessem ver os bastidores da magia do cinema.

Já a parte “shopping center” do Disney MGM-Studio Backlot seria lotada de restaurantes e lojas. De atrações, traria um ringue de patinação e um complexo de cinema com diversas salas.

A Disney contava com o apoio da cidade de Burbank no desenvolvimento do parque no início. Mas o Universal Studios provou ser um concorrente de peso. Não só eles processaram a Disney por plágio nos planos dos parques de estúdio de cinema (de fato, muitas ideias podem ter saído de antigos trabalhados do Universal Studios que foram contratados pela Disney), como enviaram panfletos aos moradores locais para que eles fossem contra o projeto. Até a MGM acabaria se tornando um problema no projeto, afirmando que o contrato para o uso de seus filmes nos parques Disney só valia em Orlando, não na Califórnia.

No fim, o Disney MGM-Studio Backlot estava se tornando uma dor de cabeça e ficando muito mais caro do que originalmente se pensava. A Disney tinha outros prioridades à época, incluindo a construção da EuroDisneyland (futuro Disneyland Paris Resort) e do próprio Disney MGM-Studios, e acabou desistindo do projeto. Entre as ideias deste projeto que foram reaproveitadas em outros parques Disney estão o pier com roda-gigante, que foi parar no Disney California Adventure, e o conceito de um complexo de lojas, restaurantes e entretenimento, que viraria o futuro Downtown Disney da Califórnia e Orlando (o último também mudou de nome e hoje se chama Disney Springs).

4- Walt Disney’s Riverfront Square

Este poderia ter sido o segundo parque Disney do mundo. O Walt Disney’s Riverfront Square foi inicialmente planejado como parte das celebrações de 200 anos da cidade de St. Louis (no estado de Missouri), nos anos 60.

Seu principal atrativo seria o fato de que o parque seria totalmente indoor, construído ao longo de cinco andares em um só prédio. As luzes do parque seriam todas artificiais, e com isso os Imagineers poderiam simular neste ambiente interno as mudanças do clima e também as mudanças do dia para noite.

Entre as atrações planejadas para o Walt Disney’s Riverfront Square estavam uma versão do Pirates of the Caribbean (que ainda não havia sido inaugurado na Disneyland), da The Haunted Mansion e uma dark ride inédita do filme Pinóquio, que mais tarde também iria parar na Disneyland.

Há diversas histórias conflitantes do porquê este parque não saiu do papel. A mais citada é a de que o dono da cervejaria Busch (isto mesmo, os donos originais dos parques Busch Gardens), afirmou que um parque sem servir álcool nunca daria certo no estado de Missouri. Além disso, muitos conflitos sobre questões de financiamento surgiram no desenvolvimento do paque que levaram ao fim do projeto.

3- DisneySea

O Epcot aquático da costa oeste. Este seria o DisneySea, um parque que não saiu do papel por muito pouco entre os anos 80 e 90.

Há anos a Disney buscava adquirir os direitos do Disneyland Hotel, principal acomodação do Disneyland Resort, da empresa familiar Wrather. Quando finalmente conseguiu, após décadas e décadas de tentativa, acabou levando todo o restante da empresa no pacote, o que incluía diversos outros tipos de negócios. Entre eles estavam a aquisição de um pedaço de terra em Long Beach, praia de Los Angeles. Este local se mostrou interessante para a Disney, que o utilizaria para construção de um porto completo da empresa, junto com uma marina, lojas, entretenimento e um parque temático, o tal DisneySea.

Seu principal intuito seria o de levar pesquisas científicas e programas educacionais sobre os oceanos para a juventude, de maneira educativa e também divertida. Os visitantes poderiam nadar com tubarões, protegidos por jaulas, para aprender mais sobre estes animais, por exemplo. Uma área inédita de nome Mysterious Island teria um simulador inspirado pelo autor Júlio Verne, chamado Nemo’s Lava Cruiser, enquanto outra área do parque seria totalmente voltada para o universo dos piratas.

O DisneySea foi longe na fase de planejamento. Até mesmo maquetes e modelos do parque e suas atrações chegaram a ser construídas. Tudo em vão. Muito dinheiro já estava alocado para a construção da EuroDisney (ela de novo), o que impedia o desenvolvimentode outros projetos grandes da Disney. A empresa também enfrentou problemas com autoridades locais, que se preocupavam em ter um novo atrativo para trazer mais pessoas a uma área já considerada lotada da cidade. Um último agravante seria a distância enorme entre o DisneySea e a Disneyland, impossibilitando a construção de um resort único como a empresa já tinha em Orlando.

Pelo nome, já dá para ter uma ideia de onde foram parar diversos planos deste parque. O Tokyo DisneySea aproveitou muito dos conceitos no desenvolvimento do segundo parque no complexo de Tóquio. A área de piratas, porém, foi reaproveitada somente recentemente, com a inauguração da Shanghai Disneyland e sua área Treasure Cove (lar da Pirates of the Caribbean: Battle for the Sunken Treasure).

2- WestCOT

Outro clone do Epcot na costa oeste que quase saiu do papel, o WestCOT é possivelmente o mais famoso um dos parques Disney que não chegaram a ser construídos.

Assim como o parque Epcot original, este seria dividido entre duas grandes áreas: Future World e World Showcase. Por falta de espaço, a segunda não teria a tradicional divisão por países, e sim por regiões do mundo, incluindo América, Europa, Ásia e Oriente Médio. Além disso, elas não seriam construídas na horizontal e estariam localizadas dentro de prédios com diversos andares, podendo, assim, aproveitar melhor o espaço diminuto do Disneyland Resort na Califórnia.

Os Imagineers aprenderam a lição com o Epcot e trariam uma série de atrações para todas as idades em cada pavilhão. Na Ásia, por exemplo, a principal seria uma montanha-russa de aço chamada Ride the Dragon (“Ande no Dragão”). Já a África teria um brinquedo de boia gigantes passeando pelo rio ficcional Congobezi – e que serviu de inspiração para a atração Kali River Rapidsno Animal Kingdom). Conectando todos os pavilhões, a atração River of Time seria o passeio de barco mais longo dos parques Disney, com 45 minutos de duração. Como os trens dos parques, ela seria também um meio de transporte, com diversas estações poderem visitantes desembarcar.

A outra parte do WestCOT seria mais resumida ainda, com todo o Future World localizado dentro de um prédio. Com isto, diversos pavilhões conhecidos do Epcot se tornariam um só. O Wonders of Life e Imagination, da época de inauguração do Epcot, virariam o pavilhão Living, enquanto o pavilhão Science combinaria os pavilhões Horizons, Universe of Energy e World of Motion, entre outros.

Como símbolo deste projeto, os Imagineers queriam uma cópia do símbolo do Epcot no WestCOT; uma Spaceship Earth ainda maior, com quase o dobro de altura, e inteiramente dourada! A obra, porém, tinha forte rejeição por parte da população local, que a considerava uma monstruosidade na paisagem da cidade de Anaheim, onde fica o complexo Disneyland.

Com um orçamento estimado de 3.1 bilhões de dólares, o parque acabou sendo substituído por outro parque no local, o Disney California Adventure, este com orçamento final de “apenas” 700 milhões de dólares.

1- Disney’s America

O Disney’s America chegou muito próximo de se tornar uma realidade. A Disney chegou a anunciar a construção do parque próximo à capital Washington D.C., mas uma série de problema levou ao fim do projeto favorito do ex-CEO da empresa, Michael Eisner.

O parque seria totalmente focado na história dos Estados Unidos – e localizado no mesmo local onde importantes batalhas da Guerra Civil american ocorreram. Cada uma das nove áreas planejadas seria focada em algum elemento histórico significativo. A entrada à lá Main Street teria soldados dos dois lados da Guerra Civil, e uma outra área traria a reencenação de batalhas famosas deste mesmo confronto entre o norte e o sul do país.

Na área Native America, uma vila Powhatan inspirada por Pocahontas teria experiências interativas e de artesanato indígena. Outras áreas do Disney’America mostrariam o nascimento da democracia norte-americana, a chegada dos imigrantes na Ellis Island (em Nova York) e uma fábrica industrial, com direito a uma montanha-russa chamada Industrial Revolution (“Revolução Industrial”), que se passaria no meio da linha de montagem.

A minha área favorita do parque que nunca existiu com certeza é a Victory Field, uma homenagem à participação dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. O simulador Soarin’ foi originalmente concebido para esta área, simulando um voo militar durante a guerra. A outra principal atração seria uma montanha-russa de duelo, com um lado inspirado pelos Estados Unidos e o outro como a Alemanha Nazista.

O projeto começou bem, com algum apoio da comunidade e governo locais e até de historiadores. Mas a coisa degringolou quando o anúncio da construção finalmente foi feito na mídia. Muitos consideravam inapropriada a construção de um parque temático perto de um local onde centenas de pessoas morreram em batalhas, e famílias locais de renome não gostaram da ideia de mais turistas invadindo a região. A própria Disney não passava por um momento bom; a Euro Disney abriu e logo virou um fiasco de público, e o principal defensor do projeto, Eisner, passou por uma operação delicada no coração na mesma época.

Para não ter que desistir totalmente do Disney’s America, a empresa procurou outras alternativas. E encontrou uma próxima à Disneyland. O parque local Knott’s Berry Farm estava à venda, e tinha muitos elementos que poderiam ser reaproveitados como parte da temática do Disney’s America. Porém, além do problema de sua localização (ele fica a 13km da Disneyland, distante do parque original como o DisneySea mencionado anteriomente), a família dona do Knott’s Berry Farm rejeitou a compra por não querer ver seu parque totalmente transformado por outra empresa – eles acabaram vendendo o parque para a empresa Cedar Fair, dona do Cedar Point, que fez muito mais alterações nele do que a Disney previa inicialmente…).

Alguns elementos do Disney’s America foram aproveitados pelo Disney California Adventure em sua inauguração, incluindo o conceito do simulador Soarin’. Mas a maioria das áreas e atrações desenvolvidos para este parque temáticos não foram reaproveitadas por nenhum parque Disney. Ainda.

Menções honrosas:

  • Mickey Mouse Park – o primeiro parque planejado por Walt Disney ficaria ao lado dos estúdios Disney em Burbank. Acabou crescendo tanto que foi substituído posteriormente pela própria Disneyland, e o resto é história…;
  • Dark Kingdom – um parque inteiro dedicado aos vilões, com áreas dedicadas ao Scar, Capitão Gancho e Rainha Má, e um castelo da Malévola. Não se sabe o porquê exato dele não ter ido adiante, mas o mais provável é que tenha sido descartado em favor da construção do Animal Kingdom;
  • Disneyland New York – antes da Flórida, Walt Disney considerou abrir um parque em Nova York, no espaço deixado pela New York World Fair de 1964. O clima mais favorável do estado ao sul foi determinante para que o projeto fosse descartado.
Fonte: Disney Unbuilt, de Chris Ware

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